sexta-feira, 26 de julho de 2013

O preço pago pelos governantes para se esconderem atrás do carisma do papa

Lama cancelou dois eventos da JMJ (Jornada Mundial da Juventude)

notícia:    A organização da JMJ, em nota ontem, informou que dois eventos foram cancelados por causa do lamaceiro que se formou após chuvas. Cerca de 1,5 milhão de fiéis percorreriam pelo Campus Fidei, uma estrutura montada em Guaratiba, na zona oeste do Rio. O prefeito da cidade, Eduardo Paes, só foi convencido de cancelar o evento após técnicos o alertarem do risco que os jovens corriam -de saúde e acidentes. Paes disse que a jornada não recebeu "um tostão de dinheiro público". Segundo ele, o gasto de R$ 26 milhões informado na semana passada se referia a serviços públicos comuns aos grandes eventos, como limpeza pública, segurança e saúde. R$ 26 milhões. Ele afirmou que a dragagem de um rio e três canais que passam pela área custou R$ 6 milhões. O palco, que não poderá ser utilizado, consumiu R$ 5 milhões, valor que teria sido obtido com doações. Ou seja, ao todo, foram investidos R$ 37 milhões e o evento foi cancelado.


opinião:    R$ 37 milhões! Concordo que segurança e saúde são fundamentais em qualquer evento, seja ele pequeno ou grande. Respeito as crenças de qualquer pessoa e não discordo do ditado popular, "crenças não se discutem" (entretanto, existem diversas religiões africanas que estão no Brasil há 500 anos e nunca, sequer, chegaram perto de receberem tais investimentos). Um evento para 1,5 milhão de pessoas, precisa ter uma infraestrutura gigante, uma grande equipe de segurança e servidores de saúde prontos para qualquer eventualidade. 
    Porém, o momento em que estamos vivendo, não é propício para tais investimentos, precisamos deles, sim, mas de uma outra maneira. Pedimos, a quase toda hora, mais professores, mais hospitais, melhorias no transporte público, dos setores de saúde e do padrão escolar, mais segurança, entre outros, e fazemos isso com razão. Não foi à toa que fomos às ruas reivindicarmos nossos direitos e mostrar aos governantes seus deveres, durante os meses de Junho e Julho.
    Esse e outros tantos investimentos que foram realizados a fim de trazer o Papa ao Brasil, mostram-nos como cada dia mais nos tornamos mais individualistas. Tanta riqueza investida para satisfazermos um gosto pessoal, individual, de ver a supra figura religiosa pessoalmente, na nossa casa. O Papa não veio ao país acabar com a fome, com (de fato) a miséria, com o abismo existente entre a minoria mais rica e a massa mais pobre. Veio apenas para seus fiéis realizarem, ao seu lado, uma jornada. 
    Além disso, muitos governantes estão se aproveitando da situação. "Não trouxe ouro nem prata", disse o Papa quando seus pés tocaram em solo brasileiro (apesar de o terem trazido com isso). Toda essa humildade, todo esse carisma podem escoar aos governantes um alívio momentâneo. Com os focos voltados ao Papa Francisco, alguns políticos podem aproveitar a bondade dos fiéis e do Papa, para se safarem de boa parte das críticas dos protestos, pagando com dinheiro público a estadia do cardeal.

Nenhum comentário:

Postar um comentário