Dessa vez, 28 bolivianos estavam tendo seu trabalho explorado, em condições análogas à escravidão
notícia: Em março de 2013, o Jornal Nacional fez uma matéria que mostrava que 29 bolivianos trabalhavam em regime de servidão na Zona Leste de São Paulo. Um caderno encontrado indica que os bolivianos tinham que pagar a passagem (da Bolívia para o Brasil) com trabalho, exemplo de escravidão por dívidas. Algumas roupas apreendidas estavam com etiquetas das grifes Cori, Luigi Bertolli e Emme.
Agora, uma fiscalização realizada no mês de junho na cidade de São Paulo, encontrou mais 28 bolivianos (18 homens e 10 mulheres) em tais condições de trabalho: escravidão. Os bolivianos confeccionavam roupas das grifes Le Lis Blanc e Bo.Bô (Bourgeois e Bohême) e ganhavam de R$12 a R$15, dependendo do grau de dificuldade da costura. As marcas pertencem à Restoque, grupo com 212 lojas no país e que encerrou o primeiro trimestre com receita líquida de R$ 195 milhões. "À Folha a empresa informou que não tem relação com as oficinas fiscalizadas.
Após blitz feita em 18 de junho em oficinas de costura clandestinas por força-tarefa do Ministério do Trabalho, Ministério Público do Trabalho e Receita Federal, a grife foi autuada e pagou R$ 600 mil de indenização aos estrangeiros, a maior parte em situação irregular no país. Cada trabalhador recebeu, em média, R$ 21 mil."
Sem carteira profissional assinada, os costureiros trabalhavam de 12 a 14 horas em três oficinas na zona norte de SP. Seus locais de trabalho, eram também suas moradias, tais estabelecimentos foram considerados pelos fiscais em condições precárias de higiene e segurança, os cômodos eram separados por tapumes, e os banheiros, coletivos. Apesar de terem as chaves do local, alguns deles tinham que pedir permissão para sair. Eram descontados de seus pagamentos coisas como as passagens da Bolívia pra cá e Wi-Fi. "Pegamos vales para pagar nossas contas e depois descontam nas faturas", diz M., 37, que trabalha como costureiro há um ano.
matéria da Folha de São Paulo: http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2013/07/1317521-marca-de-luxo-e-ligada-a-trabalho-degradante.shtml
matéria do Jornal Nacional: http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2013/03/bolivianos-trabalhavam-em-regime-de-escravidao-com-marcas-de-luxo-em-sp.html
opinião: O sistema de escravidão predominou no Brasil entre os séculos XVI ao XIX, sendo usado em plantações de cana-de-açúcar, café, entre outras atividades. Os escravos viviam nas senzalas, que eram casas à parte, afastadas da Casa Grande (onde vivia o senhor de engenho, no caso do açúcar). As condições de vida nas senzalas eram precárias, ultrapassando de longe os limites do absurdo. Além do mais, os escravos eram totalmente submissos a seus ''donos'', sofrendo torturas e até morte caso contrariassem (ou caso o senhor, simplesmente, quisesse ver alguém sofrendo) o sistema da fazenda.
Agora, segundo matérias da Folha e do Jornal Nacional, as quais reportaram que 28 bolivianos, no mês de junho e 29, no mês de março, trabalhavam em sistema de escravidão nas zonas leste e norte de São Paulo, para marcas de grife. Os bolivianos ganhavam de R$12 a R$15 por peça e viviam no mesmo ambiente no qual trabalhavam. O que é isso, senão, escravidão? Coisas como até as passagens deles para cá eram descontadas de seus salários, além do wi-fi e outras coisas que possivelmente não foram divulgadas, como alimentação e vestuário. É a classe trabalhadora sendo explorada absurdamente pela minoria mais rica. Essas pessoas vieram enganadas da Bolívia para cá, em busca de melhores condições de vida e trabalho e o quê de fato encontram é um sistema de escravidão.
Ademais, tais trabalhadores costuram para marcas que vendem suas peças caríssimas, como a Le Lis Blanc. Os consumidores-alvo dessas marcas são as pessoas da elite e da classe-média alta mais rica do país. São aquelas senhoras, esposas de donos de empresas multimilionárias, que têm 0% de interesse nas pessoas; individualistas ao extremo, pois, para pagarem valores bizarros de caro por uma peça de roupa, a pessoa tem que estar querendo investir apenas nela. Não enxergam mais ninguém, vêem apenas seu próprio bem. E saem desfilando, com seus carros luxuosos, como se fossem protótipos de manequins ambulantes, fazendo propaganda gratuita da marca. Esta agradece, pois, consegue ver o tipo de dados que seus usuários lhes fornecem para fazerem-lhes consumirem mais, com propagandas e publicidade, essas grifes trabalham da mesma forma que empresas-sereia como o Google e o Facebook.
O sistema de escravidão não deve mais existir, de forma alguma, em qualquer parte do mundo. O trabalhador tem seus direitos e é dever do contratante respeitá-los. Há dois séculos a escravidão foi abolida, mas ainda percebemos resquícios desse sistema que torna o homem uma máquina de gerar lucros para empresas e empresário acumularem cada vez mais riquezas e o proletário se afundar em uma vida desonrada de pobrezas e misérias.
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